As mulheres e o mercado de trabalho

Homens e mulheres vivem situações diferentes no mercado de trabalho. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que analisou o cenário e o acesso ao trabalho no mundo mostra que ainda há desigualdade entre os gêneros. De acordo com o estudo, levaria 70 anos para acabar com desigualdade nos salários, por exemplo, uma vez que atualmente estima-se que 23% das mulheres têm remuneração igual a 77% do salário masculino em uma mesma função. Trata-se de uma variante que não pode ser justificada apenas por fatores como educação ou idade.
Verifica-se que ainda há obstáculos, mas houve conquistas importantes não só no mercado de trabalho, mas também na sociedade como um todo. Há pouco mudou o pensamento de que as mulheres deveriam ficar em casa enquanto seus maridos possuíam uma posição de provedor do lar em um contexto em que elas não deveriam ganhar dinheiro. Somente as viúvas precisavam trabalhar para sustento dos filhos – entretanto, em funções pouco valorizadas. Mas mesmo em uma posição adversa, muitas delas conseguiam transpor os entraves e passaram a ter um espaço mais expressivo no mercado de trabalho.
Veja algumas conquistas e desafios das mulheres no mercado de trabalho.
Valores femininos
O mundo corporativo tem valorizado muitos dos valores femininos, a exemplo da capacidade de trabalhar em equipe ao invés do individualismo, a simpatia e o poder de influência em oposição ao autoritarismo e, principalmente, a cooperação onde antes havia competição. Hoje, vemos mulheres ocuparem posições de destaque não só nas empresas, mas também nos tribunais, ministérios, na presidência, em organizações de pesquisa, nas forças armadas – enfim, elas chegaram onde queriam e, muitas vezes, em menos tempo que os homens.
Um balanço anual da Gazeta Mercantil mostrou que o percentual de mulheres nos cargos executivos das 300 maiores companhias do país passou de 8%, em 1990, para 13%, em 2000. Elas chegam à direção mais cedo, com idade média de 36 anos, enquanto os homens costumam conseguir a posição após os 40.
O que ainda precisa melhor
Os níveis desemprego global pendem mais para o lado das mulheres. Segundo dados da OIT, o desemprego atinge 6,2% da população feminina, ante 5,5% da masculina. E não é só isso: elas ainda enfrentam problemas quanto a inserção no mercado de trabalho e a qualidade no âmbito trabalhista. Os dados da OIT revelam ainda que as mulheres estão mais suscetíveis a trabalhar menos horas pagas e mais tempo no trabalho não remunerado. São cerca de uma hora e meia a mais que os homens. Elas passam mais tempo no trabalho e, quando chegam em casa, ainda precisam arcar com tarefas domésticas.
Segundo o IBGE, em 1991, 18% das famílias brasileiras eram chefiadas por mulheres e atualmente esse percentual é de 25%. São mais delas administrando seus estudos, trabalhos e lares, mostrando que é possível vencer em um mercado de trabalho em que os homens, muitas vezes, ditam as regras, apesar de nem sempre terem uma formação superior. Dados revelam que quase 30% das trabalhadoras possuem currículos com mais de 10 anos de escolaridade, ante 20% dos profissionais masculinos.
As mulheres passaram a atuar em praticamente todos os setores, inclusive aqueles cuja predominância é masculina. Segundo o Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), houve crescimento das atividades para as mulheres de todas as faixas etárias. A pesquisa revela que elas têm mais facilidade de conseguir emprego do que o público masculino e seus rendimentos crescem mais. Elas sofrem mais com estresse e pressões no trabalho, mas nem por isso se dedicam menos às suas atividades. É a força do sexo feminino que mostrou-se mais capaz em diferentes funções, mas ainda precisa lutar por espaço.

Categoria: PrasaberProfissões

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