Faltando pouco tempo para o Enem, educadores criam novas formas de preparação para o exame

Para especialistas, o maior desafio imposto pelo ensino a distância é manter atenção dos alunos.

Por PRASABER

Este ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será diferente. Com os colégios abrindo as portas gradualmente, a preparação dos alunos será feita a distância e, mesmo nos mais importantes colégios do país, sem planejamento adequado. Faltando três meses para o dia da prova, as escolas e os cursos pré-vestibulares correm para inventar novas estratégias para o exame, cuja primeira prova será aplicada em 17 de janeiro.

Neste novo cenário, pré-vestibulares comunitários tiveram que encontrar formas de acesso à internet para seus alunos, escolas precisaram rever modelos de preparação consolidados há anos e até unidades internacionais de ponta procuraram ajuda.

— Essa geração conectada se adapta facilmente. Foi mais complicado para o professor — avalia André Vieira, 28 anos, que dá aulas de História no pré-vestibular Núcleo Independente Comunitário de Aprendizagem (Nica), no Jacarezinho, Zona Norte do Rio. — Nas aulas online, a gente tem que solicitar a participação do aluno, pedir para ouvir a voz dele. É um jeito de mantê-lo atento, o que no presencial você consegue com outros recursos.

No Nica, os 30 alunos receberam chips de telefone de uma campanha chamada 4G para Estudar, liderada pela ONG Nossas. A rede de ativistas conseguiu arrecadar R$ 600 mil, o que possibilitou a compra de três meses de internet para 4.625 alunos de 31 cursinhos populares espalhados por 10 estados do Brasil.

— Os alunos de escolas privadas têm acesso a coisas que eu não tenho, e a disparidade aumentou com a pandemia. Pelo menos aqui onde eu moro, eles não pararam de estudar quase nenhum dia e até aumentaram a carga horária. Minha escola só voltou nessa semana, com aulas remotas — conta Alane Costa, 17 anos, que só não largou os estudos porque seguiu as aulas da Casa Educação Popular, pré-vestibular de Altamira, no Pará, com chip doado pela campanha da Nossas.

Algumas plataformas digitais também abriram opções para compensar as escolas fechadas. Em parceria com o site Gokursos e o pré-vestibular Vai Cair no Enem, o Ser Educacional, grupo de instituições de ensino superior, criou o Enem 360.

O projeto oferece 100 mil vagas gratuitas para quem deseja se preparar para o exame. O material oferecido tem mais de 300 vídeos, 50 apostilas e aulões virtuais todos os sábados. Para participar, os interessados precisam acessar o site gokursos.com e realizar o cadastro. O conteúdo é liberado de forma imediata.

Colégios, já acostumados com uma série de metodologias para a preparação do Enem, também precisaram mudar. No Inovar Veiga de Almeida, do Rio, o professor de Química Pedro Ricardo Gabriel criou até uma avaliação usando o aplicativo de vídeos Tik Tok, febre entre adolescentes— justamente para cativá-los. Já as lives viraram rotina, com atividades interdisciplinares, semelhantes às questões do Enem.


Fonte: O Globo

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