Olimpíadas Científicas – o que são e como funcionam as principais do Brasil Olimpíadas Científicas – o que são e como funcionam as principais do Brasil

Olimpíadas Científicas – o que são e como funcionam as principais do Brasil

Seja qual for o nível de ensino, escola ou faculdade, com certeza você já deve ter ouvido falar em olimpíadas científicas. A competição é muito comum nesses ambientes, principalmente no ensino fundamental e médio, e é uma oportunidade de os alunos mostrarem seus conhecimentos, tirarem suas ideias do papel e até encontrar a sua vocação para dar um rumo na carreira.

No Brasil, existem olimpíadas científicas de diversas categorias do conhecimento, regionais e nacionais, e pode trazer muitos benefícios para quem participa, inclusive mais visibilidade no mercado de trabalho. Neste artigo, vamos contar como essas olimpíadas funcionam e quais são as vantagens, além de um calendário fresquinho. Acompanhe tudo mais abaixo!

O que são Olimpíadas Científicas?

Também apresentada como olimpíadas do conhecimento, é uma competição muito semelhante à esportiva. A ideia é incentivar estudos mais avançados de diferentes temas em uma disputa saudável entre equipes ou individualmente.

A partir da realização de provas intelectuais, os competidores apresentam seus projetos a fim de garantir medalhas ou premiações. Dentre as possibilidades de áreas nessas olimpíadas, as principais são biologia, português, matemática, física, geografia, história, filosofia, química e robótica.

Quando e por que surgiram?

As primeiras olimpíadas científicas conhecidas no mundo aconteceram na Europa, mais especificamente na Hungria, em meados do século XIX. Com foco em matemática, a competição começou a se espalhar por todo o Leste Europeu e, em seguida, na União Soviética, dando início então, oficialmente, a Olimpíada de Matemática (IMO) em 1959.

A partir da olimpíada internacional de matemática, muitos outros países começaram a incentivar esse tipo de disputa entre seus estudiosos, passando a se tornar um costume mundial. No Brasil, a primeira olimpíada científica oficial aconteceu em 1979, mas começou a se propagar no país apenas em 1996, com o surgimento da Olimpíada Brasileira de Química (OBQ). Mas, foi no ano de 2002 que o poder público passou a apoiar oficialmente essas iniciativas com a criação e suporte do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), apoiado pelo Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

A criação das olimpíadas científicas foi inspirada na esportiva, onde atletas com expertises apresentam suas especialidades e, ao mesmo tempo, cultivam laços culturais e de relacionamento.

Como são as Olimpíadas Cientificas?

Cada olimpíada conta com sua particularidade nas provas, etapas e premiações. No entanto, todas seguem o mesmo conceito de ser uma competição de conhecimentos variados, onde alunos são premiados com medalhas e certificados, além de contarem com a oportunidade de implantarem seus projetos no mercado.

Existem olimpíadas que possuem desafios teóricos, exigindo rapidez de raciocínio, ou até aquelas que contam também com fases de exercícios práticos, como a execução ou construção de um projeto. A ideia é fazer com que as matérias estudadas em sala de aula se tornem algo mais lúdico, incentivando os estudantes a se tornarem protagonistas nesse processo de ensino versus aprendizagem.

Quem pode participar?

A participação vai depender do tipo de olimpíada e do nível de escolaridade atual. Geralmente, existem disputas para estudantes do ensino fundamental, médio, técnico, superior, das redes pública ou privada, e até mesmo pessoas que estão no supletivo ou Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Ainda existem olimpíadas direcionadas a um público específico, como as promovidas pelas próprias escolas, que recebem apenas estudantes daquela instituição. Também foi criada uma competição dedicada apenas para estudantes da rede pública de ensino, visando potencializar ainda mais essa cultura entre jovens de baixa renda.

Como se inscrever?

Para se inscrever, o estudante deverá primeiro conferir o nível exigido a olimpíada que se interessou. Além disso, é importante conferir todas as exigências estipuladas, como o número mínimo e máximo de pessoas na mesma equipe, se é obrigatório que todos os membros frequentem a mesma instituição de ensino etc.

Assim que o estudante tiver confirmado todas as informações da olimpíada, chegou o momento de se inscrever. Nessa etapa, ele deve preencher todas as informações sobre seu perfil e do seu grupo, caso tiver, no site da instituição organizadora, além de cadastrar seu projeto – se for o caso. Algumas olimpíadas possuem uma taxa de inscrição, que podem variar de R$30,00 a R$100,00, outras oferecem inscrição gratuita.

Por que participar?

Participar de uma olimpíada científica vai muito além de conquistar prêmios e certificados. A partir dela, o estudante pode imergir ainda mais em todos os conhecimentos absorvidos naquele período de estudo, além de conseguir aplicar suas ideias e técnicas inovadoras, podendo transformar o mercado.

Se tornar um competidor nessas olimpíadas pode trazer grandes vantagens para a vida acadêmica e também profissional do aluno. Listamos alguns desses principais benefícios:

Vantagens para quem participa

Cada pessoa leva para a vida algo positivo da sua participação em uma olimpíada científica, tudo vai depender da intensidade da sua participação. A certeza que temos é que com certeza muitas delas transformarão a vida e a forma de pensar do estudante. Veja algumas vantagens:

Desafia o seu conhecimento

Participar desse tipo de olimpíada com certeza será uma oportunidade de testar seu nível de conhecimento em determinado assunto e, além disso, oferece a possibilidade de colocar em prática aquilo que aprendeu em sala de aula com métodos mais complexos e inovadores a partir de problemas reais do cotidiano.

Você encontra a área que tem mais afinidade

Cada setor do conhecimento possui a sua competição. Buscando participar das matérias que mais se identifica, você se aprofunda ainda mais nelas em uma olimpíada e consegue desenvolver novas habilidades dentro dessa área, podendo até ser um fator que contribua para a sua escolha de profissão.

Conquista de bolsa de estudo e intercâmbio

Muitas escolas e faculdades oferecem bolsa de estudos de até 100% para estudantes que participaram e foram premiados em alguma olimpíada científica. Além disso, universidades do exterior, como Harvard, Cambridge e Oxford, também aceitam essa certificação como um diferencial para a aceitação do estudante na faculdade.

Potencializa habilidades comportamentais

Em uma olimpíada, o estudante precisa desenvolver e praticar muito mais do que a matéria exigida. É importante ter raciocínio rápido e lógico, além de um perfil analítico. Para os casos de projeto em grupo, é essencial que o candidato saiba trabalhar em equipe, seja flexível e ainda comunicativo. Esses pilares desenvolvidos com certeza contarão em processos seletivos de universidades e até mesmo do mercado de trabalho.

Leva diferenciais para o currículo

Além de contar pontos em processos de importantes universidades do Brasil e do mundo, a competição também pode ser critério de desempate em uma contratação se estiver no currículo profissional do estudante. Isso porque o mercado de trabalho entende que o estudante que participou de uma olimpíada científica, além de ter desenvolvido seu perfil comportamental, também oferecerá importantes bases de conhecimento.

Melhora o rendimento escolar

Para participar de qualquer olimpíada, o estudante precisa mergulhar de cabeça nos estudos. Isso porque a concorrência é grande e com um alto nível de conhecimento. Por esse motivo, além de se preparar para competir, o aluno consegue se aprofundar ainda mais em matérias que estão na sua grade curricular, melhorando suas notas e seu desempenho no período, além de ajudar na preparação para outras avaliações, como o vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Principais olimpíadas nacionais

Hoje existem centenas de olimpíadas por todo o Brasil, e a tendência é que cada vez mais essa cultura se prolifere entre as escolas. Dentre as competições nacionais, as mais concorridas e reconhecidas no país são:

Olimpíada de Astronomia e Astronáutica

A Olimpíada de Astronomia e Astronáutica (OBA) é uma das que abrangem mais níveis de escolaridade. As avaliações são distribuídas entre estudantes em 4 níveis diferentes, do 1º ao 3º ano do ensino fundamental, do 4º ao 5º ano do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e do 1º ao 3º ano do ensino médio.

A disputa foi criada em 1998 pela Sociedade Astronômica Brasileira, inspirada pela Olimpíada Internacional de Astronomia (IAO). Com 10 questões de múltipla escolha – sendo 7 de Astronomia e 3 de Astronáutica, a olimpíada é uma oportunidade que os estudantes têm para conseguir uma vaga na Escola de Astronomia do Brasil, projeto de imersão em conteúdos de matemática, física, filosofia que acontece por uma semana, além de ser um fator para a seleção em olimpíadas internacionais, como a Olimpíada Latinoamericana de Astronomia y Astronáutica (OLAA) e Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA).

Olimpíadas Científicas de Astronomia E Astronáutica

Olimpíada de Biologia

Promovida pelo Instituto Butantan, a Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) surgiu em meados de 2004 e é dedicada aos estudantes do ensino médio regular, matriculados em uma instituição da rede pública ou privada que seja reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC).

Com três fases iniciais e mais três fases de classificação, a olimpíada de biologia conta com avaliações de múltipla escolha sobre diferentes temas da Biologia, como a citologia, botânica, zoologia, genética e evolução, ecologia, etologia, biossistemática, farmacologia e temas relacionados às ciências da natureza.

A partir do resultado da disputa, a OBB seleciona os integrantes do time que participará das competições internacionais, representando o Brasil, como a Olimpíada Internacional de Biologia (IBO) e a Ibero-Americana de Biologia (OIAB).

Olimpíadas Científicas Biologia

Olimpíada de Física

Uma das primeiras competições desse segmento, a Olimpíada Brasileira de Física (OBF) nasceu em 1999 como um projeto da Sociedade Brasileira de Física (SBF) no Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo.

A competição é dividida em níveis para estudantes do ensino fundamental e médio das redes públicas e privadas, sendo o primeiro nível dedicado aos alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental, o segundo nível para 1º e 2º ano do ensino médio e o terceiro nível para o 3º ano.

Com três etapas, a olimpíada conta com provas objetivas e dissertativas nas duas primeiras e a última conta com provas experimentais. Além de premiação, os alunos classificados passarão a representar o Brasil nas Olimpíadas Internacionais de Física (OIF).

Olimpíadas Cientificas Física

Olimpíada de Matemática

A olimpíada mais tradicional e antiga do país, a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) teve sua primeira edição organizada no ano de 1979 em uma iniciativa entre o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Diferente da maioria das olimpíadas de conhecimento, a OBM conta com etapas para estudantes do ensino fundamental, médio e também para quem está no nível universitário. Nas etapas, os alunos passam por provas objetivas e também discursivas sobre assuntos ligados a matemática e suas tecnologias.

Olimpíadas Cientificas Matemática

Olimpíada Brasileira de Matemática

A OBM passou por diversas mudanças ao longo de seus mais de 40 anos de existência. Em suas primeiras edições, apenas estudantes do nível fundamental e médio podiam participar, só apenas a partir de 2001 que os universitários passaram a conseguir um espaço na competição.

Com isso, a olimpíada nacional de matemática passou a contar com 4 níveis, segmentadas a partir da escolaridade de cada participante, com provas e tarefas indicadas para cada grau de conhecimento. Para a preparação, o IMPA ainda contribui com materiais didáticos de apoio, com provas e gabaritos de edições passadas e uma lista de livros que serão úteis para os estudantes.

Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

Projeto idealizado em 2005, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas é uma competição que, no início, atendia a demanda da rede pública de incentivar os estudantes em assuntos relacionados à matemática. Com o passar dos anos e visto a grande procura dos alunos e das escolas do país – mais de 90% dos municípios brasileiros, decidiu-se abrir também para inscrições de escolas da rede privada.

Nessa disputa, os participantes contam com duas etapas, uma prova de múltipla escolha e outra dissertativa. Os classificados, além de serem premiados com medalhas, podem ter a oportunidade de participar do Programa de Iniciação Científica Júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Vale destacar que tanto estudantes quanto professores e escolas são premiados pelos desempenhos durante a competição.

Olimpíadas Cientificas Matemática Escola Pública

Olimpíada Brasileira de Geografia

Em sua 4ª edição, a Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG) é dedicada aos estudantes do 9º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. As etapas consistem em 4 fases, sendo 3 online e uma presencial, que são realizadas em equipe de até três estudantes e um professor para coordenar que seja da mesma instituição de ensino dos alunos.

Nessa olimpíada, os participantes devem mostrar seus conhecimentos e capacidade analítica sobre os fenômenos geográficos como um todo e geografia no geral, sem dividir em questões geopolíticas e questões geofísicas. Os classificados podem ser considerados para participar de eventos internacionais, como a Olimpíada Internacional de Geografia (IGeO).

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Olimpíada de História

Com 12 edições realizadas pelo Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) promove atividades ligadas ao campo de ciências humanas para jovens matriculados nos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e todos os anos do Ensino Médio, de escolas públicas e particulares.

São seis fases, realizadas de maneira online e presencial, sendo cada uma com duração de uma semana. Dentre elas, estão avaliações com perguntas de múltipla escolha e desafios e debates entre colegas, com a apresentação de pesquisas e orientadas por professores.

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Olimpíada de Língua Portuguesa

A competição está em sua 6ª edição e é uma iniciativa do Ministério da Educação em parceria com Itaú Social. A Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP) é dedicada aos alunos da rede pública de ensino que estão entre o 5º ano do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio.

Na disputa, os estudantes devem produzir textos de acordo com as orientações determinadas pela organização, podendo ser poemas, crônicas, memórias literárias, artigos de opinião e até documentário. As etapas começam em nível municipal, passando por estadual e chegando a nível nacional – a partir da fase com semifinalistas.

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Olimpíada de Química

A Olimpíada Brasileira de Química (OBQ) nasceu em meados de 1986, no entanto, sofreu com a falta de incentivo e só voltou a acontecer em 1996, com o apoio do Instituto de Química da USP, da (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) FAPESP e da Secretaria da Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A disputa acontece todos os anos e é dedicada para estudantes do ensino médio e técnico que buscam aprimorar seus conhecimentos no setor químico.

O evento, que conta com a participação de cinco estados brasileiros, é estruturado por uma avaliação teórica, com questões objetivas e analítico-expositivas que devem ser respondidas em um período de quatro horas. Os vencedores, além de premiados com medalhas, poderão ser selecionados como representantes do Brasil em competições internacionais, como Olimpíada Internacional de Química (IChO) e na Olimpíada Ibero-americana de Química.

Olimpíadas Científicas Química

Olimpíada Brasileira de Robótica

A Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) nasceu em 2007 e hoje é considerado o maior evento de robótica da América Latina. Na competição, alunos do ensino fundamental, médio e técnico da rede de ensino pública e privada participam de atividades teóricas e práticas relacionadas ao mundo robótico.

Além de incentivar a troca de conhecimentos tecnológicos, os classificados na olimpíada robótica também podem se tornar representantes brasileiros em grandes competições mundiais, como a RoboCup, maior evento de robótica do mundo.

Olimpíadas Científicas Robótica

Calendário de Olimpíadas Científicas nacionais

Agora, para participar de alguma olimpíada do conhecimento e organizar seu tempo para estudar basta ficar atento nos sites oficiais de cada competição. Por conta do ano atípico que está sendo 2020, as olimpíadas nacionais não divulgaram o calendário oficial, mas a previsão é que em breve isso aconteça e as inscrições sejam retomadas.

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