Vícios de linguagem – classificação e exercícios Vícios de linguagem – classificação e exercícios

Vícios de linguagem – classificação e exercícios

Como você já deve saber, uma boa escrita e o domínio da língua portuguesa padrão são imprescindíveis nos vestibulares de todo o país. Não só na redação, mas nas questões dissertativas, é importante fazer um bom uso da linguagem formal para que a banca avaliadora compreenda as suas respostas. Se estiver difícil de entender, faltando coesão ou coerência, é bem possível que a questão seja anulada e considerada errada.

Apesar dos professores frisarem a necessidade do uso da linguagem formal nas provas, ainda existe uma boa parte de estudantes que foge das normas gramaticais ao escrever. Um dos motivos disso é bastante comum e pode influenciar no dia a dia de todos os falantes da língua portuguesa: os vícios de linguagem.

Ficou interessado no assunto e quer saber tudo sobre? Continue com a gente! 😊

O que significa vícios de linguagem

Antes de seguir em frente, é importante deixar claro do que estamos falando, não é? Vamos lá! Vícios de linguagem são palavras ou construções frasais que fogem das normas gramaticais, tanto na fala como na escrita.

Esse descuido – ou falta de conhecimento das regras da língua portuguesa padrão – costuma ser mais aceitável na fala, por conta da norma coloquial que usamos, mas, ao escrever, é preciso redobrar a atenção, principalmente em vestibular, em concurso, na redação do Enem e em textos mais formais, como os de trabalhos acadêmicos.

Classificação dos vícios de linguagem

Além de ser algo que deve ser evitado na fala e na escrita de qualquer pessoa, o vício de linguagem também costuma cair em questões de provas e vestibulares, fazendo com que os alunos pensem e estudem o tema (que, inclusive, é matéria obrigatória nas aulas de língua portuguesa do ensino médio).

É preciso estar atento às perguntas, que muitas vezes apresentam pegadinhas, para responder corretamente. A classificação dos vícios de linguagem ocorre em grupos e subgrupos.

Conheça cada um deles a seguir:

Ambiguidade ou anfibologia

Este é um dos vícios de linguagens mais conhecidos e se dá quando uma frase possui duplo sentido de interpretação. Geralmente, para desfazer a ambiguidade, é necessário o uso de vírgulas, pronomes mais assertivos, complementos nominais ou mesmo inverter a ordem da construção frasal. A dica aqui é tentar deixar o texto mais claro e direto possível, facilitando para o avaliador.

Veja o exemplo abaixo:

A mãe de Joana entrou com sua bicicleta em casa.

A frase acima possui dupla interpretação por não sabermos de quem é a bicicleta: da mãe ou da Joana? Podemos desfazer ambiguidade de duas maneiras:

  1. A mãe de Joana entrou com a bicicleta da filha em casa.
  2. A mãe de Joana entrou com a própria bicicleta em casa.

Arcaísmo

Como o próprio nome já diz, o arcaísmo remete a algo arcaico, ou seja, antigo. Ocorre quando há o uso de palavras ou expressões que não são mais usadas. Veja alguns exemplos abaixo:

Vosmecê – você

Assi – assim

Asinha – depressa

Barbarismo

Este vício de linguagem se dá quando uma palavra é empregada com erro de grafia, pronúncia, flexão, formação ou significação. Por esse motivo, o barbarismo é um grupo que apresenta subgrupos, conforme o erro gramatical cometido. Confira abaixo:

Pronúncia

O barbarismo ocorre muito na língua falada, uma vez que é um vício característico da linguagem coloquial ou informal. Podemos, ainda, separá-lo nos seguintes níveis:

Sílaba

Ocorre quando, ao pronunciar a palavra, o acento tônico é colocado erroneamente na sílaba errada. Veja as seguir:

brica no lugar de rubrica (correto: ênfase na segunda sílaba “bri”, sendo uma palavra paroxítona)

Cacoépia

Vício de linguagem que ocorre quando há um erro na pronúncia dos fonemas. Como o exemplo abaixo:

Tenho muitos probremas para resolver no trabalho. (correto: problemas)

Você pode decascar a laranja? (correto: descascar)

Cacografia

Também conhecida com um barbarismo gráfico, a cacografia ocorre quando há erros de grafia ou na flexão das palavras. Como os exemplos a seguir:

O adevogado foi acionado para resolver o caso. (correto: advogado – erro de grafia)

O segurança da festa deteu o homem que estava brigando. (correto: deteve – erro de flexão)

Morfologia

Este vício de linguagem implica no erro em relação à utilização dos vocábulos. Como os exemplos a seguir:

Se eu ir ao shopping, vou chegar mais tarde. (correto: for)

Ela era a prima mais menor entre todas. (correto: menor)

Semântica

Ocorre quando duas palavras apresentam grafia parecidas, mas significados diferentes. Dessa forma, ao trocar uma pela outra ocorre um erro semântico. Veja a seguir:

Ela comprimentou o diretor assim que chegou. (correto: cumprimentou)

Estrangeirismos

Este vício de linguagem se dá quando palavras de outro idioma são empregadas de modo desnecessário, ou seja, quando já existe o termo ou a expressão na língua portuguesa. Veja os exemplos de estrangeirismo a seguir:

Você não imagina o stress que isso me rendeu! (correto: estresse)

Vamos pedir um delivery? (correto: entrega em domicílio)

Cacófato ou cacofonia

A cacofonia (ou cacófato) ocorre, na grande maioria das vezes, quando há o encontro do final de um vocábulo com o início de outro, tornando desconfortável aos ouvidos. Tal fenômeno ocorre porque a junção de alguns fonemas produz um efeito estranho, diferente do esperado. Veja os exemplos:

Eu vi ela ontem na loja de sapatos. (vi + ela = viela / correto: Ontem, eu a vi na loja de sapatos).

Enviei os presentes de volta, já que tinha os recebido por engano. (já + que + tinha = jaquetinha / correto: Enviei os presentes de volta, uma vez que os recebi por engano).

Colisão

A colisão ocorre quando há um desvio dado pela sequência de consoantes idênticas ou semelhantes empregadas em uma mesma construção frasal. Veja só:

O rato roeu a roupa do rei de Roma.

O pintor pinta portas e paredes por preços populares.

Eco

O eco é resultado de quando há terminações iguais de fonemas na mesma frase. Num primeiro momento, o eco pode soar bonito por ter rimado, mas na norma culta ele se configurada como um vício de linguagem. Veja a seguir:

Tente, enfrente, faça diferente.

A divulgação da promoção não causou comoção da população.

Gerundismo

Um dos vícios de linguagem mais conhecidos, e mais cobrados em vestibulares também, o gerundismo se configura quando há o uso do gerúndio em excesso, de forma desnecessário. Isso ocorre quando o falante tenta reforçar a ideia de continuidade de uma ação. Confira o exemplo mais comum:

Eu vou estar entrando em contato em breve com o resultado do processo seletivo. (Correto: Entrarei em contato em breve com o resultado do processo seletivo).

Hiato

O hiato é um vício de linguagem ocasionado pela sequência de vogais idênticas ou bastante semelhantes, de forma que o som – ao ser lido – causa estranheza aos ouvidos. Os exemplos a seguir demonstram isso:

Ou eu ou a outra receberá o presente.

João a ama.

Neologismo

Bastante conhecido na literatura por autores consagrados fazerem o seu uso, como Guimarães Rosa, o neologismo se configura na criação de palavras que ainda não foram adicionadas à língua de maneira concreta, ou seja, fonemas inventados. Veja alguns exemplos:

Vou stalkear aquela menina que gosto.

Ele militou muitos nas redes sociais.

Depois de um dia de trabalho intenso, finalmente sextou!

Obscuridade

Mais um dos exemplos de vícios de linguagem bastante cobrado no vestibular, principalmente na redação do Enem, onde deve ser evitado. A obscuridade ocorre quando falta clareza no texto, tornando a escrita confusa, sem coerência ou coesão. Veja o exemplo:

Foi evitada uma efusão de sangue inútil (correto: Uma efusão inútil de sangue foi evitada).

Pleonasmo

O pleonasmo é uma figura de linguagem bastante conhecida e cobrada em vestibulares de todo o país. Ele se configura quando é acrescentado uma informação desnecessária à frase ou ao discurso, de maneira intencional ou não.

Pleonasmo vicioso

Conhecido também como redundância, o pleonasmo vicioso ocorre quando os falantes da língua cometem o vício por não conhecerem as regras gramaticais, tratando-se de um erro muito comum na fala cotidiana, mas não aceitável na norma culta. Dica: é bem comum cair no Enem perguntas como “o que é pleonasmo?” ou “qual frase abaixo configura pleonasmo?” e, por isso, é importante que você se atente aqui.

Veja, a seguir, os exemplos de pleonasmo:

  • subir para cima (o verbo “subir” já indica que é para cima);
  • entrar para dentro (o verbo “entrar” já indica que é para dentro);
  • descer para baixo (o verbo “descer” já indica que é para baixo);
  • multidão de pessoas (“multidão” já indica o agrupamento de muitas pessoas);
  • surpresa inesperada (a palavra “surpresa” já indica que algo é inesperado).

Preciosismo e prolixidade

Sabe quando uma pessoa usa palavras difíceis ou mesmo frases em excesso para falar algo? Pois é, isso é um exemplo de ser prolixo. A prolixidade é considerada um vício de linguagem por tirar a naturalidade dos discursos. Ou seja, apesar de muitos acharem que o “falar difícil” é algo bom, na verdade ele dificulta a interpretação, tornando-se algo ruim. Veja a seguir:

A vida na Terra poderia ser uma vida mais pacífica, uma vida mais sossegada, uma vida mais tranquila.

Percebe-se, na frase acima, a repetição desnecessária da palavra “vida”. Além disso, os adjetivos sossegada, pacífica e tranquila possuem o mesmo sentido. A frase, sem prolixidade, ficaria assim:

A vida na Terra poderia ser mais pacífica.

Solecismo

O solecismo ocorre quando há erro de sintaxe na construção verbal e o dividimos em três subgrupos: concordância, regência e colocação. Veja a seguir o exemplo de cada um:

Concordância

Sobrou muitos cadernos do ano passado. (correto: Sobraram muitos cadernos do ano passado).

Regência

Você foi na padaria? (correto: Você foi à padaria?)

Eu e ela assistimos o filme que passou ontem. (correto: Eu e ele assistimos ao filme que passou ontem).

Colocação

Me fala mais sobre a viagem? (Fala-me mais sobre a viagem?)

Agora que você chegou até aqui, que tal dar uma olhada no vídeo que separamos sobre os vícios de linguagem? Isso pode ajudar a gravar bem o exemplo de cada um. Clique abaixo e aproveite!


Figuras de linguagem x vícios de linguagem

Assim como os vícios, as figuras de linguagem também caem bastante no vestibular e, principalmente, no caderno de linguagem e códigos do Enem. Por conta disso, é importante saber diferenciá-los para não cair em qualquer pegadinha na hora da prova, ok?

Como vimos ao longo de todo o artigo de hoje, os vícios de linguagem representam determinados desvios da norma padrão da língua portuguesa na hora de falar ou escrever, interferindo na expressividade, na interpretação e no ruído sonoro produzido. Por isso, assim como as gírias, devem ser evitados em qualquer texto formal, principalmente em provas.

Já as figuras de linguagem são recursos linguísticos usados com a finalidade de oferecer ainda mais expressividade à fala ou ao discurso. Por isso, é comum serem utilizadas em prosas poéticas e poesias.

Porém, é importante ressaltar um ponto: em algumas situações, os erros gramaticais ocorrem de maneira intencional e, dessa maneira, são considerados figuras de linguagem (e não como vícios de linguagem).

Caiu no vestibular!

Se você acompanhou este artigo com a gente até aqui, não é mais novidade que os vícios de linguagem aparecem – e muito! – no vestibular, não é? Por isso, resolvemos ajudar trazendo uma lista de exercícios que já foram cobrados em provas passadas. Apesar do Enem ser, disparado, o exame que mais cobra esse tema, algumas instituições de ensino – como a FEI e a UFOP – também já o abordaram.

E aí, bora estudar? Baixe o nosso arquivo com os exercícios de vícios de linguagem e boa sorte! 😊

Acesse os exercícios

Quero receber notícias do PRAVALER

Preencha o campo abaixo com seu e-mail e fique sabendo tudo sobre o PRAVALER em primeira mão.