Mulheres no mercado de trabalho – carreiras e desafios Mulheres no mercado de trabalho – carreiras e desafios

Mulheres no mercado de trabalho – carreiras e desafios

A gente sabe que a luta não é de hoje: as dificuldades, as superações e as conquistas das mulheres no mercado de trabalho vêm de longa data. Apesar disso, ainda há muito a ser falado sobre o tema e, diga-se de passagem, muito a ser melhorado.

Prova disso é um relatório, do Fórum Econômico Mundial, que conclui que a igualdade de gêneros só se dará – se continuarmos na evolução pelos direitos das mulheres – em 2095. E mais: a discrepância, falando de participação econômica e oportunidades femininas, chega a 60% ou mais. Quer mais um dado que parece surreal? No ranking de igualdade de salários, o Brasil é o penúltimo entre todos os países das Américas, perdendo só para o Chile (ocupamos o 124º lugar de 142 países avaliados).

Esse é apenas um cenário de toda a problemática que envolve as mulheres e os desafios na carreira feminina. Isso porque ainda é preciso lidar com o preconceito interno, o de não acreditar ser capaz de conseguir um cargo maior, um salário compatível ou ser reconhecida pelo o que faz.

Porém, apesar de muito desafio pela frente, a luta feminista já conquistou muitos direitos para as mulheres, não só no mercado de trabalho, mas na política e no social. Pensando nesse histórico, e aproveitando a data especial do 8 de março, preparamos um artigo especial sobre o assunto e você pode conferi-lo agora mesmo, continuando a leitura abaixo.

Mulheres Mercado Trabalho Vamos Juntas

Participação feminina no mercado de trabalho

Para falar do cenário atual para as mulheres no mercado de trabalho, precisamos voltar um pouco no tempo para entender o desenrolar da história. Vamos fazer um resumo rápido para facilitar, ok?

Podemos dizer que o industrialização, lá na década de 1940, foi o grande marco para as mulheres. Antes disso, aqui no Brasil, tomar conta da casa e das tarefas do lar eram as únicas atividades destinadas ao público feminino, já que a grande maioria precisava cuidar dos filhos e se mantinham sustentadas pelos maridos, uma realidade bem diferente da de hoje (ainda bem!).

Com o surgimento das indústrias, começou a faltar mão de obra e as mulheres foram chamadas para trabalhar, porém, recebendo salários mais baixos que os homens e, por isso, até priorizadas para as atividades do setor.

Embora as mulheres também tenham entrado para o setor industrial, os maridos continuavam a receber salários maiores e sendo os principais responsáveis por sustentarem a casa. Por isso, apesar dos empregos em indústrias terem sido bons para a inserção da mulher no mercado, foram eles também que fomentaram a diferença de salários entre os gêneros.

Em 1970, o movimento feminista tomou conta dos EUA e isso se refletiu no Brasil, de modo que as mulheres passaram a exercer mais consideradas um pouco mais importantes para a sociedade, como professoras, costureiras, atendentes de lojas etc.

A partir de então, a participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou, mesmo que a passos bem lentos. O último dado apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, hoje, a participação feminina chega a 49,9% (perto dos 14% ocupados em 1950, é um avanço e tanto!).

Infelizmente, esse mesmo senso nos mostra uma estatística bem ruim: a quantidade de mulheres empregadas é menor comparada aos homens – em 1950, a porcentagem era de 80,8% e, em 2010, caiu para 67,1%. Os dados nos mostram que, apesar de muita luta e conquista femininas, a desigualdade de gêneros ainda é grande e isso reflete em cargos, salários e oportunidades de trabalho bastante discrepantes entre homens e mulheres, o que não se pode negar.

Posições

As mulheres, aqui no Brasil, passaram a participar mais do mercado nas últimas décadas e o número de trabalhadoras com a carteira de trabalho assinada dobrou. Mas só isso não basta: as posições ocupadas e o salário não evoluíram junto com esse número, havendo, ainda, uma diferença absurda entre homens e mulheres nesse contexto.

Podemos dizer que alguns cargos ainda são considerados típicos de serem ocupados somente por mulheres. Exemplo disso são as trabalhadoras domésticas – e, não coincidentemente, são elas que também possuem a menor remuneração do mercado.

Mas o problema se estende para outros ramos, como o da educação. Professores de ensino médio de escolas particulares, por exemplo, são homens em grande maioria e possuem os melhores salários. Nesse cenário, as mulheres ocupam mais escolas públicas e atuam na educação infantil e no ensino fundamental, com salário bem inferior.

Diferença salarial

Infográfico Mulheres no mercado de trabalho - Carreiras e Desafios

Oportunidades

Apesar das vagas de empregos serem ainda difíceis para as minas, os movimentos de empoderamento feminino e grupos que atuam na luta pela igualdade de gêneros apresentam alternativas muito interessantes para juntar forças e abrir espaço no mercado de trabalho para as mulheres.

Algumas plataformas e sites foram desenvolvidos para a divulgação de vagas exclusivas para as mulheres e, além disso, há grupos on-line destinados somente para o público feminino que, entre si, se ajuda na divulgação de oportunidades, envio de currículos, indicações e etc. Seguem alguns exemplos bem bacanas:

  • Mulheres no e-commerce: destinado para mulheres que buscam vagas no mercado eletrônico;
  • Garotas no poder: grupo no Facebook de mulheres que buscam por igualdade de gênero no mercado de trabalho e empoderam lideranças femininas;
  • Indique uma mina: com o mesmo intuito de divulgação de vagas femininas, porém com grande visibilidade para as mulheres trans também;
  • Contrate uma mãe: rede de apoio de mulheres que, após a jornada da maternidade, buscam pela realocação no mercado de trabalho, aumentando a autoestima dessas mães e fazendo com que elas reconhecem seus reais valores;
  • She works!: plataforma internacional – e disponível para o Brasil – que conecta empresas com mulheres que buscam trabalhos freelas e/ou home office na área da comunicação (muitas delas, inclusive, precisam trabalhar em casa pois a rotina não permite estarem fora por longos períodos, estão de licença-maternidade, cuidam de filhos pequenos ou buscam renda extra nessas atividades).

Cargos de liderança

Como falamos anteriormente, algumas profissões eram – e algumas ainda são – de estereótipo feminino. Da mesma forma, algumas carreiras sempre foram vistas como “coisa para homem”, o que aumenta ainda mais a discrepância de gênero no mercado.

Porém, as coisas evoluíram bastante nos últimos tempos e, carreiras que antes eram exercidas só por homens, hoje também possuem cadeiras para as mulheres. Cadeiras menores, no entanto. O problema enfrentado atualmente tem sido em relação aos cargos de liderança que, predominantemente, ainda são masculinos.

Ou seja: há mais espaço para as mulheres no mercado de trabalho, nas grandes empresas e companhias (isso é inegável!), porém ver mulheres na liderança ainda não é tão comum como poderia ser (principalmente em áreas como tecnologia, engenharia e informática). Ainda há bastante desigualdade de gênero na hierarquia das empresas.

Prova disso é a comparação de salários. Se liga nos dados: mesmo que os homens já sejam maioria em determinadas áreas, eles ainda ocupam os cargos mais altos e, segundo o IBGE, apenas 41,8% das lideranças são femininas.

Jornada dupla x horário flexível

Apesar de terem conquistado o trabalho remunerado, muitas mulheres ainda possuem o trabalho doméstico – sendo, ainda, as responsáveis por limpar, lavar e cuidar dos filhos. O IBGE levantou, inclusive, um dado que comprova a jornada dupla das mulheres: enquanto os homens gastam cerca de 10,9 por semana nas atividades em casa, elas gastam 21,3. (É quase o dobro!).

Porém, se por um lado ainda existem empresas bastante enraizadas no processo hierárquico, priorizando a liderança dos homens, já vemos muitas companhias com um novo mindset e propostas de equidade de gênero, como startups, fintechs e agências. Por isso, muitas dessas empresas trabalham com horário flexível de trabalho, o que facilita para as mulheres que precisam dividir o tempo entre o escritório e os afazeres domésticos.

Nesse sentido, as atividades autônomas, o empoderamento de empreendedoras e a busca por carreiras que permitem o trabalho em casa têm crescimento exponencialmente. Entre as profissões que possibilitam a rotina mais flexível e o home office, estão: jornalista, escritor(a), revisor(a) de textos, tradutor(a), contador(a), desenvolver(a) de websites, design gráfico(a) etc.

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Maternidade e carreira

Começando com os dados: 94% das mulheres sentem dificuldade para conciliar a carreira com a maternidade. É preocupante, não é? Isso porque o preconceito no mercado de trabalho com uma mulher que se torna mãe é ainda muito grande e os direitos trabalhistas não todo o suporte necessário para essas mulheres.

O problema é ainda mais sério avaliando que, nessa mesma pesquisa, 64% das mães relataram terem a carreira prejudicada após a maternidade – ou por terem que recusar uma super proposta de trabalho por não terem tempo suficiente para os filhos, ou por terem deixado de ser promovidas por tornarem-se mães.

Nesse contexto, a união de mães em redes de apoio e grupos voltados para a realocação da mulher no mercado de trabalho após a gravidez têm sido importantíssimos para que elas tenham mais forças para os processos seletivos, não deixam a autoestima cair e tenham com quem contar e compartilhar os desafios de conciliar a maternidade e o trabalho.

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Qualidades que as mulheres mais apreciam nas empresas

As mulheres têm ganhado voz no mercado de trabalho, apesar de ainda enfrentarem muitos problemas, conforme já citamos acima. Por conta disso, as grandes empresas e companhias têm prestado mais atenção nas qualidades que o público feminino mais aprecia na hora de buscar um emprego, ou seja, quais os pontos levados em consideração na escolha da carreira e local de trabalho.

Não aleatoriamente, é possível observar que as mulheres buscam trabalhar em locais e para companhias que possuem uma relação mais humanizada com os colaboradores:

  • Qualidade de vida
  • Cultura e propósito da companhia
  • Benefícios e remuneração
  • Oportunidades de ascensão e crescimento de carreira

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Relevância das mulheres no mercado de trabalho

Sabemos que ainda existe muito a melhorar no mercado de trabalho para que as mulheres sejam ainda mais valorizadas e a desigualdade de gênero diminua, proporcionando ainda mais espaços nas empresas para cargos de liderança feminina.

Porém, entender a participação das mulheres no mercado vai além da equidade, é algo fundamental para o desenvolvimento da sociedade e a expansão da economia mundial. E isso já tem sido pauta global: em uma conferência do G20, algumas metas foram estabelecidas para que, até 2025, a desigualdade de gêneros nas maiores economias do mundo diminua – a meta do Brasil é reduzir a diferença em 25%!

Isso trará um aumento em milhões para a economia mundial e, não por menos, tem sido tema entre grandes potências que já entendem que, para que as metas sejam alcançadas, é preciso investir em educação e na qualificação das mulheres para que elas possam conquistar ainda mais espaço.

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Profissões que se destacam

Todas as áreas apresentam oportunidades para as mulheres e é preciso quebrar barreiras para aquelas que ainda resistem à presença feminina. Entretanto, ainda existem determinadas carreiras que as mulheres se engajam melhor e, não por coincidência, alcançam maiores cargos para as tomadas de decisões, como gestoras e líderes. Na lista de profissões que elas se destacam, estão:

  • Serviço Social
  • Marketing e Comunicação
  • Mercado Empresarial
  • Educação
  • Vendas

Mulheres na tecnologia

O que não se pode negar é o preconceito contra as mulheres em determinadas áreas, principalmente ligadas à tecnologia. O motivo disso é cultural, uma vez que essas carreiras sempre foram relacionadas aos homens – uma vez que ainda se acredita que a mente masculina é muito mais de exatas que a mente feminina. Isso não deixa de ser uma consequência das escolhas profissionais por pressão educacional e influência familiar. Ora, os pais sempre incentivaram os filhos homens para os cursos de ciências exatas, não é? Dessa forma, é claro que eles possuem “mais aptidão” para números.

A boa notícia é que já existem alternativas em pauta para que o mercado de trabalho solucione a falta das mulheres em empresas de tecnologia, já que elas correspondem somente 20% dos profissionais do setor. A ideia é alimentar o interesse do público feminino para os cursos de exatas e incentivá-lo para o setor por meio de cursos de tecnologia, palestras e conferências nacionais sobre o tema.

Mulheres na engenharia

As mulheres também têm procurado mais por cursos da área de engenharia e a participação feminina nesse setor só têm crescido nos últimos anos, principalmente no ramo de segurança do trabalho.

Além disso, apesar de presença de homens em faculdades de engenharia ainda ser muito maior, as salas de aulas já têm grande parcela feminina, o que têm contribuído para a diminuição da discrepância de gênero no setor e ajudado para aumentar o interesse das mulheres no ramo das exatas.

Mulheres na administração

Um dos cursos mais procurados do Brasil, a administração também deixou de ser uma carreira só para homens, uma vez que as empresas têm sentido a necessidade da presença feminina para a solução de problemas, criatividade e inovação.

Atividades ligadas à gestão, à relação entre empresas e à comunicação interna e externo têm sido atribuídas às mulheres, que têm crescido exponencialmente no cargo.

E aí, gostou do nosso artigo sobre os desafios das mulheres no mercado de trabalho? Confira agora as carreiras em que as minas mais se destacam!

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