Naturalismo – contexto histórico, características e autores Naturalismo – contexto histórico, características e autores

Naturalismo – contexto histórico, características e autores

Todos que frequentaram as salas de aula já ouviram falar, mas aqueles que estão estudando para o vestibular, os que já ingressaram em uma graduação de humanas ou ainda quem pretende seguir uma carreira acadêmica, deve ter se aprofundado sobre escola literária e suas características em prol da evolução da sociedade.

Pra quem não sabe, uma escola literária é um movimento que reúne acontecimentos com denominadores em comum através de obras da literatura e artísticas. Hoje, existem 14 escolas literárias em todo o mundo, e dentre elas está o Naturalismo, que nasceu no final do século XIX e foi considerado um movimento relacionado ao Realismo, no entanto, mais extremista e com pensamentos evolucionistas.

Vamos mergulhar na história e características do Naturalismo juntos? Então continue por aqui!

O que é Naturalismo?

Naturalismo é uma classe de tendência estética e literária criada na França, com o intuito de retratar a realidade social através de obras de artes plásticas, peças teatrais ou arquivos literários. Com o propósito de ser uma ferramenta de denúncia, foi uma das escolas literárias que mais provocaram o choque na, até então denominada, classe nobre.

A partir da forte análise social, o Naturalismo evidenciava temas e personagens que, na época, eram marginalizados e excluídos das expressões artísticas e literárias. Por ter sido criado no mesmo período que o Realismo, pode ser confundido, no entanto, é reconhecido com uma ramificação – ou continuação mais revolucionária.

Contexto histórico do Naturalismo

Com pensamento influenciado por Charles Darwin, o Naturalismo estudava o indivíduo e acreditava que suas ações estavam diretamente relacionadas a sua herança genética e pelo ambiente em que viveu e cresceu.

Tais análises permearam a biologia, psicologia e sociologia por mais de 40 anos, entre 1881 e 1922, e fizeram um grande estardalhaço em uma época onde o capitalismo brutal e a escravidão eram temas de pouco – ou nenhum – debate entre as classes.

Onde surgiu o Naturalismo

A expressão surgiu na Europa e foi utilizada inicialmente pelo escritor francês Émile Zola. Ao expor o marco inicial da nova escola literária para o mundo, Zola disse “O Naturalismo, nas letras, é igualmente o retorno à natureza e ao homem, a observação direta, a anatomia exata, a aceitação da pintura do que existe.”.

O Naturalismo na França

Émile Zola foi o principal impulsionador da literatura naturalista. Influenciado pelas teorias científicas da época, buscou transferir o rigor das análises científicas para as obras de ficção. Foi então que em 1867 publicou a obra “O Romance Experimental”, que foi encarada como um grande manifesto do movimento. Com a literatura, Zola deu o ponta pé inicial para que mais escritores pudessem estudar e expor as facetas mais primárias e animalescas da sociedade, a fim de provar teorias filosóficas e sociais da época.

Em 1880, Zola revolucionou de novo o Naturalismo, com a publicação “Nana”, que foi considerada uma das maiores obras do escritor e da classe literária. A obra é marcada por temas considerados imorais, que eram o erotismo e o discurso sobre sexualidade.

Mas foi em 1885 que Émile Zola lançou sua principal e mais trabalhosa obra. “Germinal” retratou a vida dos trabalhadores nas minas de extração de carvão e, para isso, viveu com uma família de um dos mineiros e passou por todos os problemas sociais na pele.

O Naturalismo em Portugal

Zola foi quem abriu as portas para que outros escritores naturalistas começassem com a surgir. Em Portugal, um dos pioneiros da classe literária foi Eça de Queirós, que destacou em suas obras panoramas pertencentes ao Naturalismo-Realismo.

Em 1875, Eça de Queirós lançou a obra “O Crime do Padre Amaro”, criado para ser uma ferramenta de denúncia contra a hipocrisia do clero. Já em 1878, para levantar a bandeira de crítica à burguesia, expos em “O Primo Basílio” os vícios e segredos que cercavam a nobreza naquela época, considerada uma classe pura, como o adultério.

O Naturalismo no Brasil

Naturalmente, a literatura naturalista ganhou força entre os escritores, principalmente em território brasileiro, onde a escravidão e desigualdade social eram temas da realidade, mas pouco explorados.

Foi no final do século XIX que o Naturalismo começou a marcar sua presença na literatura brasileira. Na época, grandes mudanças e revoluções aconteciam no Brasil, como a abolição da escravatura e a Proclamação da República. E foi influenciado por essas lutas e por Émile Zola e Eça de Queiroz, que o maior representante dessa escola no país, o maranhense Aluísio Azevedo, criou o romance “O Mulato” (1881), marco inicial do Naturalismo brasileiro, e a conhecida obra “O Cortiço” (1890).

Assim como em outros países, as obras de Aluísio e de outros escritores naturalistas brasileiros não se preocupava em levar entretenimento aos leitores, como acontecia com o Romantismo, escola literária antecedente, mas sim em narrar a triste realidade vivida no país, como a discriminação racial e social.

O que mais chama atenção nas obras de Aluísio é que ele retrata personagens historicamente apagados da sociedade e, como consequência do ambiente vivido, compartilham das mesmas fraquezas e vícios que a nobreza.

Apesar da grande importância de Aluísio para lançar o Naturalismo no Brasil, outros escritores também se destacaram na escola literária, como é o caso de Adolfo Caminha, Horácio de Carvalho, Inglês de Souza, Raul Pompeia e Emília Bandeira de Melo.

O Naturalismo na literatura

O destaque do Naturalismo se dá pelas obras de literatura. Isso porque o grande diferencial da escola são as linguagens extremamente coloquiais, simples e, em algumas situações, até mesmo vulgares. Com o objetivo de abordar temas relacionados ao cotidiano da época, como a discriminação, miséria e crimes, os autores destacavam personagens também atípicos nos livros de romances, como escravos, adúlteros e pobres.

Justamente por acreditar que a seleção natural impulsiona o comportamento da espécie e por retratar elementos que compõe a personalidade da sociedade, o resultado de cada obra literária era de histórias reais e um diálogo extremamente vivo e descritivo, com detalhes que chocaram a todos na época.

O Naturalismo no teatro

No teatro, as mudanças foram intensas. Com o surgimento do Naturalismo, representar a realidade nos palcos também se tornou um desejo de todos. Foi aí que surgiu profissões como cenógrafo, para estudar e criar cenários que retratassem o que era vivido, o figurinista, para vestir os atores conforme a realidade do seu personagem, e o diretor, para coordenar as etapas do processo até a apresentação final.

A partir da inserção do Naturalismo no teatro, a encenação e o cenário eram preparados para serem tão realistas quanto o roteiro. As peças teatrais que alavancaram a escola literária na época foram baseadas em textos de Émile Zola, percursor dessa classe, e o principal diretor de apresentações naturalistas era André Antoine, que se destacou por compor o cenário com animais vivos e simulação de riachos.

O Naturalismo nas artes plásticas

Assim como em todas as áreas que se sobressaíram, o Naturalismo nas obras artísticas retratava paisagens urbanas com personagens comuns, sem nenhum tipo de distorção da realidade. O objetivo, assim como na literatura e teatro, era expor posições ideológicas e pouco discutidas na época e, para isso, apresentava obras que de tão vivas, competiam com fotografias.

O grande interesse dos artistas pela escola literária fez com que um grupo se reunisse ao ar livre para pintar e retratar o que via, o que naquele século era novidade. Dentre os artistas mais renomados do Naturalismo estão Théodore Rousseau, Jean-Baptiste-Camille Corot, Édouard Manet e John Constable.

Principais características do Naturalismo

Já contamos um pouco sobre a leitura do Naturalismo em todas as vertentes artísticas e literárias. Agora, vamos listar algumas das principais características da classe para a fazer com que ela se destacasse em meio a uma sociedade rigorosa e autoritária:

Linguagem simples

Em todas as formas de expressão do Naturalismo, um dos elementos que mais são destacados é a simplicidade da expressão, sempre utilizando de uma linguagem objetiva e muito usada pela sociedade.

Influência Darwinista

A teoria de Charles Darwin foi uma grande influência para a criação do Naturalismo. Nela, Darwin defende que o homem não possui o livre arbítrio em suas escolhas e comportamentos, mas que tudo é consequência de sua herança familiar e ambiente social vivido. Ou seja, apenas quem já está inserido em um contexto social favorável está apto a grandes conquistas e respeito social.

Ênfase animalesca

Em suas crônicas, a escola naturalista trata o homem como uma criatura governada por impulsos e desejos primitivos, como a de um animal. A partir do instinto e da necessidade, o indivíduo deixa de ser civilizado para dar espaço às suas mais diversas vontades primitivas.

Determinismo

O Naturalismo reforça e defende que o indivíduo, assim que nasce, não tem controle sobre a sua história e se torna um simples figurante dela. Seu comportamento e personalidade é o reflexo das influências do ambiente em que está inserido, e não se sua própria consciência.

Cientificismo excessivo

Nas obras naturalistas, o autor tenta desvendar e defender teorias sobre o homem e seu comportamento, fazendo experiências, levantando teorias e investigando causas, assumindo, então, uma postura relacionada ao positivismo.

Predominância do cotidiano

Ao contrário do Romantismo, escola literária antecedente, o Naturalismo relata temas que são frequentemente vividos na sociedade do século XIX e a entre as diferenças de comportamento e permissão entre as classes sociais, sempre sobressaindo aqueles que são considerados inferiores.

Ferramenta de denúncia social

A partir das obras naturalistas, os autores enxergaram uma chance de expor todas as crueldades vividas pela classe baixa, muito marginalizada e pouco vista pelo restante da sociedade. Com obras protagonizadas por personagens dessa minoria, as denúncias faziam uma crítica direta à miséria, escravidão e desigualdade social.

Principais temas abordados no Naturalismo

Com seu forte traço de engajamento contra a naturalização da desigualdade e anseio pela reforma da sociedade, alguns temas eram intensamente abordados nas obras naturalistas, seja em livros de romance, quadros artísticos ou peças teatrais. Entre eles, estão:

  • Miséria das cidades;
  • Crise da produção no campo;
  • Péssimas condições de vida;
  • Crítica ao tradicionalismo da sociedade;
  • Violência;
  • Crimes;
  • Sexualidade;
  • Adultério;
  • Política;
  • Marginalização da pobreza.

Realismo e Naturalismo

Algumas instituições costumavam estudar o Realismo e Naturalismo em conjunto. Isso porque ambas possuem características extremamente parecidas e, ainda, consideram o Naturalismo uma ramificação do Realismo, ou seja, uma divisão mais radicalizada e extremista.

De fato, as premissas entre as escolas literárias são semelhantes, no entanto, uma diferença crucial faz com que existam as duas classes. Enquanto o Naturalismo mostra o homem e sociedade como um produto da natureza, mostrando sua agressividade, necessidades primitivas e características comportamentais animalescas, o Realismo expõe a realidade de um ponto de vista social, ou seja, retrata o homem em interação com seu meio social.

De maneira simplificada, o Naturalismo propõe o estudo do homem biológico e suas ações a partir da hereditariedade. Já o Realismo expressa o homem psicológico e a maneira que ele lida com a sociedade a sua volta.

Principais autores do naturalismo

Émile Zola


Sobre

Criador do Naturalismo, Émile Zola nasceu em Paris, em 1840, e foi um consagrado escritor e destaque na libertária da França. Zola foi romancista, contista, dramaturgo, poeta, jornalista e crítico literário. Suas obras se sobressaíam pois eram ferramentas de luta para uma reforma social. O escritor morreu em 1902 e, com mais de 50 obras, exerceu grande influência para a sequência de revelações de escritores naturalistas.

Obras

Naná (1880), Germinal (1885), A Taberna (1886), A besta humana (1890) e J’accuse (1898).

Aluísio Azevedo


Sobre

Primeiro grande escritor naturalista brasileiro, Aluísio nasceu em São Luiz do Maranhão em 1857. Além de ser uma importante referência na literatura, também era dramaturgo, pintor, caricaturista e diplomata. Sua morte aconteceu em 1913, mas suas obras são até hoje materiais de referência.

Obras

O Mulato (1881), Memórias de um Condenado ou A Condessa Vésper (1882), Casa de Pensão (1884) e O Cortiço (1890).

Adolfo Caminha


Sobre

Nascido em Aracati, no Ceará, em 1967, Adolfo Caminha era escritor, jornalista e oficial da Marinha do Brasil. Um dos destaques do Naturalismo no Brasil, Caminha era conhecido pelas minuciosas descrições em suas obras. Mesmo com uma morte precoce por conta de uma tuberculose, em 1897, o escritor consolidou seu nome como uma referência para a escola literária no país.

Obras

Voos Incertos (1886), A Normalista (1893), No País dos Ianques (1894) e O Bom Crioulo (1895).

Eça de Queirós


Sobre

Considerado um dos principais e mais importantes escritores portugueses da história, Eça de Queirós nasceu em Póvoa de Varzim em 1845 e, além de escritor, também foi diplomata português. Seu reconhecimento se deu pela originalidade e riqueza na linguagem de suas obras. Com mais de 20 romances publicados, morreu em 1900, mas deixou um legado histórico no naturalismo mundial.

Obras

O Crime do Padre Amaro (1875), A Tragédia da Rua das Flores (1877-78), O Primo Basílio (1878) e Os Maias (1888).

Inglês de Souza


Sobre

Foi escritor da escola naturalista brasileira e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Além disso, Inglês de Souza também atuava como professor, advogado, político e jornalista. Seu reconhecimento na literatura aconteceu com a obra “O Missionário” e, a partir disso, deixou um marco com mais de 10 obras no acervo brasileiro. Nascido em 1853 no estado do Pará, o escritor faleceu em 1918, mas antes, teve uma forte influência política em seu estado natal, sendo eleito deputado federal nas eleições do mesmo ano de sua morte.

Obras

História de um pescador (1876), O Coronel Sangrado (1882) e O Missionário (1888).

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