Parnasianismo – contexto histórico e características e autores Parnasianismo – contexto histórico e características e autores

Parnasianismo – contexto histórico e características e autores

A literatura faz parte de quem quer estar preparado para o Enem e para os principais vestibulares do país, pois cai de forma recorrente no caderno de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Confira abaixo um material completo sobre o Parnasianismo que foi uma das importantes Escolas Literárias do século XIX.

O que é Parnasianismo?

O Parnasianismo é uma escola literária – ou movimento literário – que surgiu em oposição ao Realismo e Naturalismo, representando a valorização do positivismo e da ciência.

O nome Parnasianismo vem do termo “Parnaso”, que na mitologia grega significa o nome da montanha consagrada pelo deus Apolo e de suas musas da poesia. O nome desse movimento literário se deve também a sua primeira publicação chamada de “Le parnasse contemporain” pelo autor Alphonse Lemerre, sendo um dos parnasianos.

O Parnasianismo foi considerado o movimento “realista em poesia”, mas diferente do Realismo que utilizava a ficção como base cientificas para sociedade, o Parnasianismo não faz questão de utilizar essas bases para seu movimento, já a influência do cientificismo e do positivismo foi a base para a estética da poesia no parnasianismo.

O movimento Parnasianismo foi baseado pela doutrina da “arte pela arte” que teve origem pelo poeta francês Théophile Gautier, que defendia o princípio de que a arte não precisava ter uma base de significados e sentimentos humanos, mas sim com o intuito de ser perfeita, bela e refinada.

Contexto histórico do Parnasianismo

A origem do Parnasianismo

O Parnasianismo surgiu na França durante o século XIX, com o objetivo na criação de “poesias perfeitas” em oposição aos movimentos literários Realismo e Naturalismo, contrariando totalmente à prosa, já que o movimento foi essencialmente poético.

Os parnasianos valorizavam o positivismo e a ciência acima de qualquer sentimento humano, sendo fatos históricos, objetos e paisagens, temas preferidos desse movimento. Utilizavam também um vocabulário culto e construções textuais complexas, sendo que a descrição visual é o forte da poesia parnasiana, assim como para os autores românticos são a sonoridade das palavras e dos versos.

Os primeiros parnasianos da língua francesa foram poetas de diversas tendências, que são: Théopile Gautier, Leconte de Lisle, Théodore de Banville, José Maria de Heredia – de origem cubana – e Sully Prudhomme.

O Parnasianismo em Portugal

Em Portugal o Parnasianismo não foi um movimento muito importante, as características mais significativas foram somente no Brasil e na própria França, onde se originou o movimento literário.

Os autores portugueses desse movimento foram Gonçaves Crespo – nascido no Brasil, mas foi criado em Portugal desde os seus 10 anos de idade -, João Penha, Césario Verde e António Feijó.

O Parnasianismo no Brasil

No Brasil foi a partir da década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, as primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o chamado Parnasianismo.

O movimento parnasianismo no Brasil teve maior destaque do que nos países da Europa, sendo que no Brasil o parnasianismo não seguiu todas as características do parnasianismo francês.

A diferença foi que a subjetividade e o nacionalismo, estavam presentes nos poemas de autores brasileiros. Já na estética parnasiana francesa, esses aspectos eram deixados de lados por questão da própria cultura parnasiana europeia.

O auge do parnasianismo em terras brasileiras foi com “Fanfarras”, de Teófilo Dias, em 1889.

Tríade parnasiana

Os pioneiros do parnasianismo no Brasil foram os poetas Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo Correia, formando um grupo que ficou conhecido como a “Tríada Brasileira do Parnasianismo”.

O Parnasianismo na Literatura

Assim como o Realismo e o Naturalismo, o Parnasianismo foi um movimento literário contemporâneo, sendo o Realismo e o Naturalismo na prosa e o Parnasianismo na poesia.

A poesia parnasiana valoriza o cuidado formal e a expressão mais contida dos sentimentos, sendo um vocabulário mais elaborado, racionalista e voltado para assuntos mais universais, com um objetivo principal de se opor ao sentimentalismo do romantismo e às prosas pelo realismo e naturalismo.

Com o foco das poesias serem perfeitas, os autores parnasianos buscavam palavras ideais na construção dos poemas com foco na racionalidade, dedicando-se totalmente a perfeição e a linguagem culta.

Principais características do Parnasianismo

  • Objetividade: oposição ao subjetivismo e sentimentalismo exagerado;
  • Impessoalidade: ausência do “eu”; negação do sentimentalismo romântico;
  • Estética ou Culto a forma: correção gramatical, estrutura e perfeccionismo na construção da poesia;
  • Arte pela arte: A poesia não tem nenhum compromisso, realidade não é uma influência para a poesia;
  • Descritivismo: preocupação com a descrição bem detalhada da forma física e estética dos objetos;
  • Uso de figuras de linguagem: Os poemas parnasianos têm preferência pelo hipérbato, recurso que estiliza os textos contribuindo para os objetivos das obras;
  • Preciosismo: linguagem culta e de difícil compreensão, focaliza-se no detalhe, cada objeto deve ser singular;
  • Universalismo temático: o nacionalismo era explorado mais pelos parnasianos brasileiros, sendo sempre com moderação.

Parnasianismo e Simbolismo

Ambas escolas literárias surgiram na França em 1866, partindo de uma publicação da revista Parnasse Contemporain. Com ideologias diferentes, porém tanto o Parnasianismo como o Simbolismo compartilham a mesma preocupação com a linguagem e seu refinamento formal.

A poesia simbolista sugeria a realidade utilizando símbolos, metáforas, sinestesias e recursos sonoros contrariando o objetivismo do Realismo. Sendo seu objetivo reproduzir o mundo interior, antissocial, sem lógica e intuitivo.

Já a poesia parnasiana tinha como objetivo ressaltar os sentidos contidos e temas como amor, tempo, objetos de arte e a natureza, sempre com um retorno ao clássico, seguindo a perfeição formal e o termo arte pela arte.

Principais autores do Parnasianismo no Brasil

Olavo Bilac


Sobre

Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de Janeiro, no dia 16 de dezembro de 1865. Cursou cursos como Direito e Medicina, porém não concluiu nenhum dos cursos, trabalhou como inspetor de escola e jornalista, com uma boa dedicação ao trabalho e de seus escritos à educação.

Olavo Bilac foi considerado “O Príncipe dos Poetas Brasileiros” com sua primeira obra “Poesias” de 1988 e já estava identificado como proposta do Parnasianismo. Colaborou também com diversos jornais e revistas, como a Gazeta. Atuou como secretário do Congresso Pan-Americano em Buenos Aires e foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Olavo dedicou seus últimos anos de vida à propagação do serviço militar obrigatório e faleceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de dezembro de 1918.

Obras

Poesias (1888), Via Láctea (1888), Sarças de Fogo (1888), Crônicas e Novelas (1894), O Caçador de Esmeraldas (1902), As Viagens (1902), Alma Inquieta (1902), Poesias Infantis (1904), Crítica e Fantasia (1904), Tratado de Versificação (1905), Conferências Literárias (1906), Ironia e Piedade (1916) e Tarde (1919).

Alberto de Oliveira


Sobre

Antônio Mariano Alberto de Oliveira, nasceu em Palmital do Saquarema, no Rio de Janeiro, no dia 28 de abril de 1857. Em 1883 cursou medicina até o terceiro ano, onde foi colega de Olavo Bilac e em 1884 formou-se em Farmácia. Ainda quando estudante Alberto de Oliveira estreia na literatura com sua obra “Canções Românticas” de 1978, mas ainda sua obra não tinha relação com os valores parnasianos. Em 1884 foi conhecido como “O Mestre do Parnasianismo” com sua obra “Meridionais”.

Trabalho como farmacêutico e, em 1889 casou-se, em Petrópolis, com a viúva Maria da Glória Rebelo Moreira, com quem teve um filho. Em 1892 foi nomeado oficial de gabinete do primeiro presidente do Estado do Rio de Janeiro, José Tomás da Porciúncula.

Entre 1893 e 1898, exerceu o cargo de diretor geral da Instrução Pública do Rio de Janeiro. Foi também professor de Português e de Literatura Brasileira no Colégio Pio-Americano e na Escola Normal. Foi um dos sócios fundadores da Academia Brasileira de Letras em 1897. Faleceu no dia 19 de janeiro de 1937, em Niterói.

Obras

Canções Românticas (1878), Meridionais (1884), Sonetos e Poemas (1885), Versos e Rimas (1895), Poesias (1900), Poesias – segunda série – (1905), Poesias – terceira série – (1913), Poesias – quarta série – (1927) e Poesias Escolhidas (1933).

Raimundo Correia


Sobre

Raimundo da Motta Azevedo Correia nasceu no dia 13 de maio de 1859 a bordo na baía de Mogucha, próxima a São Luís, Maranhão. Formou-se em direito pela Faculdade do Largo São Francisco e retornou ao Rio de Janeiro onde foi nomeado promotor de justiça de São João da Barra e, logo depois, juiz municipal e de órfãos e ausentes em Vassouras.

Sua estreia na literatura foi com seu livro “Primeiros Sonhos” de 1879, com influência dos poetas românticos Fagundes Varela, Castro Alves e Casimiro de Abreu. Em 1883 lançou sua obra “Sinfonias”, prefaciado por Machado de Assis, assumindo o Parnasianismo e ao lado de Alberto Oliveira e Olavo Bilac forma a famosa Tríade Parnasiana.

No ano de 1911, Raimundo Correia viajou para França em busca de tratamento médico para uma recém neurastenia e acabou falecendo em Paris no dia 13 de setembro do mesmo ano.

Obras

Primeiros Sonhos (1879), Sinfonias (1883), Versos e Versões (1887), Aleluias (1891) e Poesias (1898).

Francisca Júlia da Silva


Sobre

Francisca Júlia da Silva Munster nasceu na cidade de Xiririca, atual Eldorado do estado de São Paulo, em 31 de agosto de 1971. Irmã do poeta Júlio César da Silva, Francisca começou sua carreira literária bem jovem, escrevendo sonetos para o Estado de São Paulo, em 1891.

A poeta, pode ser dividida em duas partes, sendo a parnasiana com a qual foi prontamente conhecida, e a simbolista no qual foi incluído os poemas com finalidade mística e moral. Em 1895 lançou sua primeira obra de poemas chamado de “Mármores”, foi um livro de grande sucesso em todo território nacional, recebendo críticas de Olavo Bilac, alguns críticos consideraram-na a maior poetisa da língua portuguesa. Sua poesia seguia rigorosamente os padrões dos textos parnasianos franceses de impessoalidade e impassibilidade.

Francisca se casou em 1909, e a partir de então, se recolheu para sua vida particular e praticamente abandonou a atividade literária. Faleceu no dia 1 de novembro de 1920, o motivo de sua morte é incerto, não se sabe se tomou por erro ou voluntariamente doses excessivas de calmante.

Obras

Mármores (1895), Livro da Infância (1899), Esfinges (1903),  A Feitiçaria Sob o Ponto de Vista Científico (1908), Alma Infantil com Júlio César da Silva (1912), Esfinges – Segunda edição – (1921), e Poesias – organizadas por Péricles Eugênio da Silva Ramos – (1962).

Vicente de Carvalho


Sobre

Vicente Augusto de Carvalho nasceu em Santos, no estado de São Paulo, no dia 5 de abril de 1866. Seus primeiros estudos foram na cidade de Santos e ainda menino, escreveu seus primeiros poemas. Aos onze anos abandonou os estudos e começou a trabalhar no comércio, logo depois foi para São Paulo estudar no Seminário Episcopal.

Formou-se em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco e no mesmo tempo entrou para o grupo de poetas que defendiam a estética parnasiana. Dedicou-se ao jornalismo, à política e ao comércio de café, foi conhecido como “o poeta do mar” que transmitia em suas obras e pela sua cidade natal.

Vicente faleceu no dia 22 de abril de 1924, na cidade Santos.

Obras

Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, rosa de amor (1902), Poemas e canções (1908), Versos da Mocidade (1909), Verso e prosa (1909), Páginas Coladas (1911), O Gol do Romário (1916) e Lucinha (1924).

Luís Delfino


Sobre

Luís Delfino dos Santos nasceu em Desterro, Santa Catarina, no dia 25 de agosto de 1834. Fez sua estreia literária, em 1852, com seu conto “O órfão do templo”, na revista carioca Beija-Flor. Em 1857 formou-se em Medicina na Academia Imperial de Medicina, no Rio de Janeiro e ao longo de sua vida se dedicou à medicina e à literatura.

“A filha d’África”, foi um dos seus poemas mais famoso, publicado em 1862, na Revista Popular e em 1885, foi eleito o maior poeta vivo do Brasil, no concurso da revista A Semana. Elegeu-se a senador da República por Santa Catarina em 1890 e no ano de 1898 foi reconhecido como o “Príncipe dos Poetas Brasileiros” pela revista simbolista Vera-Cruz.

Faleceu no dia 31 de janeiro de 1910, no Rio de Janeiro. O poeta escreveu mais de cinco mil poemas, que foram publicados após sua morte, em 14 volumes editados por seu filho, Tomás Delfino dos Santos, entre 1926 e 1943.

Obras

O anjo de minha poesia (1852), História de um amor (1854), Origem das nuvens (1854), Vingança (1855), Amor e dever (1855), Hino de morte (1855), Memória (1855), Desejo de viver (1856), Desilusões e morte (1856), Gritos de um louco (1856), Miosótis (1856), A flor do vale (1857), A sorte (1857), A lâmpada eterna (1854) e Não rasgues teu nome (1857).

Mário de Lima


Sobre

Mário Franzen de Lima, nasceu no dia 10 de julho de 1886, em Ouro Preto, Belo Horizonte. Formou-se em direito pela Faculdade de Direito de Minas Gerais, hoje conhecida como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lecionou Filosfia do Direito e atuou como promotor de Justiça em Rio Novo, reitor do Ginásio Oficial de Baebacena, diretor do Arquivo Público Mineiro e da Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais.

Foi um dos fundadores da Academia Mineira de Letras, sendo presidente nos anos de 1921 e 1922. Atuou como presidente também do Instituto Histórico de Minas. Mário passou de poeta parnasiano para o movimento modernista, com Carlos Drummond de Andrade elogiando seu livro de estreia. Faleceu em 1936 em Ouro Preto, Belo Horionte.

Obras

Quadrinha (1886-1936), Ancenúbios (1908), Audiências de Luz, poesia (1917), Medalhas e brasões, poesia e sínteses históricas (1918), O mito solar nos Evangelhos, ensaio de crítica histórica (1914), A escola leiga e a liberdade de consciência (1914), Elogio do Marquês da Sapucaí (1915), Esboço da história literária de Minas (1920), Dante e a Divina Comédia (1921), Ouro Preto e a Escola de Minas (1921), Ideias e comentários (1921), Coletânea de autores mineiros (1922), A Igreja, o poder civil e o direito de revolta (1924), Minas e a Guerra do Paraguai (1926), O bom combate (1929) e A hermenêutica tradicional e o Direito Científico (1932).

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